Dez perguntas importantes que você precisa saber sobre Doação de Órgãos e ajudar a salvar vidas (24/06/13)

Reportagem feita junto ao Hospital Santa Terezinha esclarece as principais dúvidas sobre o assunto e revela: falta de informação por vezes impede a doação e o ato de salvar vidas

Quem nunca se deparou com uma informação controversa sobre doação de órgãos? Afinal quem pode doar e quem pode receber? Mitos e verdades são freqüentes nos dias de hoje, mas a lista de espera para a doação de órgãos muitas vezes é demorada e com muitas barreiras. Para piorar, o número de receptores é muito maior do que o número de doadores.

Foi por isso que a Fundação Hospitalar Santa Terezinha de Erechim, através da Comissão Intra Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos (CIHDOTT), iniciou há alguns anos a campanha: “Doe órgãos. Doe vida. Seja um doador. Informe sua família”. Uma campanha continua, permanente e com foco em eliminar barreiras para potencializar doações e assim salvar mais vidas..

Confira agora as principais perguntas que podem lhe ajudar na hora da decisão junto à sua família.

Quando acontece a doação de órgãos?

A doação de órgãos acontece quanto há um paciente no hospital que está na UTI vítima de um AVC hemorrágico ou traumatismo craniano grave, que entra em morte encefálica. São realizados 2 testes clínicos feitos por dois médicos diferentes um neurologista e um intensivista e um exame de imagem. A partir deste momento a gente conversa com a família sobre doação de órgãos só a família pode decidir, parentes de até de 2º grau, tem que haver o fator sanguíneo. Crianças menores de 18 anos têm que ter a autorização dos dois pais, mesmo que tenha um padrasto tem que haver a autorização dos dois pais biológicos. Marido pode autorizar e se não for casado tem que ter união estável. A família decide. A autorização pela carteira de motorista não é válida desde 2002.

Só a família pode autorizar a doação de órgãos?

Sim. Se o paciente já teve essa conversa em casa é muito mais fácil para a família decidir. Há muitos casos de pacientes jovens onde os pais têm que tomar a decisão da doação, mas eles nunca conversaram sobre isso em casa, pois nunca se espera que um filho morra antes que um pai.

Quais os órgãos que podem ser doados?

Os órgãos que são doados em morte encefálica são fígado, rins, pâncreas, coração e pulmão. Há também os tecidos que podem ser doados em qualquer morte de coração parado que são ossos, pele e córnea. Então se o paciente morrer de uma parada cardíaca pode ser retirado a córnea, ossos e pele até 6 horas depois que o coração parar. Já para a doação de órgãos tem que ser morte encefálica onde o cérebro está morto e o coração continua batendo, o paciente vai para o bloco cirúrgico com o coração ainda batendo se retira os outros órgãos e o coração fica por último.

Como funciona a lista de espera para a doação?

São pessoas que estão numa lista única, a doação geralmente fica entre estados um possível doador do Rio Grande do Sul e um possível receptor do Rio Grande do Sul, até pela compatibilidade de tempo, pois o transplante tem que ser rápido se não tiver ninguém no Rio Grande do Sul compatível então vai para outro estado.

E como é feito o diagnóstico da morte encefálica?

O diagnóstico da morte encefálica é muito seguro, tem um exame clínico, um exame de imagem, que comprova que não tem fluxo sanguíneo nenhum. Morte encefálica é diferente de coma. O coma pode ser efeito da medicação ou coma normal, mas nesses casos o cérebro não está morto a pessoa que está em coma tem fluxo sanguíneo. Só esta em morte encefálica o paciente que esta sem medicação sedativa mais de 24 horas e não tem fluxo sanguíneo. Do coma a pessoa pode voltar, mas de morte cerebral não.

E quanto tempo dura o órgão depois de retirado do paciente?

Tem órgãos que duram em torno de 4 a 6 horas, por exemplo, o pulmão e o coração são dois órgãos que duram de 4 a 6 horas fora do corpo, então dificilmente uma equipe que vem de fora vem captar coração aqui.Para cada órgão há uma equipe tem uma equipe especializada em retirar coração, outra para pulmão e outra para fígado.

Qual é a principal causa de não haver a doação de órgãos?

A principal causa da não doação de órgãos é a negativa familiar, não é nem a contra indicação médica. A maior causa é a negativa da família e a família sempre nos diz que “ele nunca nos falou se quer ou não ser doador”.

Com que idade o paciente pode ser doador?

De 7 dias de vida até 80 anos.

 

Qual a importância das palestras que a CIHDOTT está fazendo?

As pessoas têm várias dúvidas e muitos mitos sobre esse assunto, por isso nós fizemos estas palestras para tirar dúvidas e para informar, pois ainda falta informação sobre isso. E nas escolas as palestras têm grande importância, pois os adultos geralmente já têm uma idéia formada e não mudam, mas com as crianças nós podemos construir uma idéia.

Qual é o contato para uma escola, grupo ou empresa que quiser uma palestra ou tiver dúvidas sobre o assunto?

Basta entrar em contato no telefone do Hospital 3520-2100 ou 3520-2220 e por e-mail [email protected] ou [email protected]